butsuzo-to-honshin-wNa entrevista, Yokota mencionou uma maneira interessante de se perceber o Honshin em si mesmo: orar para uma estátua budista.

Para mim essa foi uma grande novidade, porque o Zen é famoso por incentivar um caminho espiritual que depende de você e das suas práticas, não da ajuda de algo externo. Orações para a salvação são muito importantes na linha budista Terra-Pura ou no catolicismo, mas não no Zen, até onde eu saiba.

No Japão tem um fenômeno social muito interessante que são as Butsuzo Girls. São mulheres que apreciam estátuas budistas pela sua beleza. Elas viajam para os templos para ver estátuas e já escutei vários comentários como “Ai, o Ashura do templo XYZ é um gato”!

Sim, isto é contraditório ao objetivo do zen, que visa o desapego da matéria e de coisas superficiais. Mas então por que há estátuas no Zen?

O Yokota citou um caso que respondeu a esta pergunta. Tinha uma menina estava com problemas afetivos e de trabalho, e estava querendo suicidar. Certa vez ela foi a templo Sanzen in de Kyoto e, ao colocar as mãos em prece diante de uma estátua budista, a menina disse que sentiu que ela era a estátua. Ou melhor, que ela tinha um coração maravilhoso como o Buda da estátua, então a menina passou a sentir melhor. Yokota explicou que a estátua foi um meio da menina perceber o seu Honshin, e ver o que era correto fazer.

A princípio fiquei meio decepcionado com esse lado do Zen, mas relfletindo agora acho que entendo. Quando estamos na quietude do templo, e vemos uma estátua budista a meia-luz, com seus olhos de vidro brilhando em direção a gente, pode-se sentir uma certa interiorização da consciência. Além do mais, essas estátuas foram feitas por pessoas que (acredito que) buscavam viver de acordo com o Honshin, então essa postura de vida deve se transmitir através das suas obras.

Aliás eu sou fã das estátuas do Fudomyo!

Mineiro de Belo Horizonte. Aos 14 anos fica sensibilizado com o mangá e decide se tornar mangaká. Estuda japonês e quadrinhos intensamente e faz mestrado na Tokyo Zokei University. Após se formar começa a trabalhar numa empresa japonesa de TI, e continua a desenhar mangás. Atualmente produz a série “My Zen Diary” na revista President Next entre outras, como um mangaká apaixonado pelo Zen.

Pode-se contemplar o honshin sem fazer meditação

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